Convenções de escrita

Regras práticas de como escrever notas no Codex. O objetivo é que qualquer nota, criada hoje ou em 5 anos, siga o mesmo padrão e seja recuperável.

Atomicidade — uma ideia por nota

Cada nota em 03-Dominios/ cobre uma única ideia evergreen. Se você está descrevendo dois conceitos relacionados, faça duas notas e linke uma na outra.

Sinais de que a nota deveria virar duas:

  • O título usa “e” ou vírgula (X e Y, X, Y, Z)
  • A nota tem dois H2s que poderiam viver sem o outro
  • Você se pega escrevendo “veja a outra parte desta nota” — separe

Exceções legítimas: MOCs (índices), Sendas (curadoria) e Interview Notes bilíngues.

Filename

Tipo de notaConvenção
Domínio (notas atômicas)Nome do Conceito.md — Title Case, espaços normais (não kebab-case)
MOCMesmo nome da pasta (Java/Java.md, Arquitetura/Arquitetura.md)
Glosa<ano>-<slug-kebab-case>.md (ex: 2026-ai-now-writes-97-of-my-code.md); colisão usa -2, -3
SendaSenda <Tema>.md em 04-Sendas/ (flat, sem subpastas)
MestreNome do Mestre.md em 00-Meta/mestres/

A regra geral: o filename deve casar com o title do frontmatter. Wikilinks [[Nome]] resolvem por filename, então mudar o filename quebra links — Obsidian atualiza wikilinks em renomeações automaticamente, mas só dentro do vault.

Frontmatter

Mínimo obrigatório em qualquer nota:

---
title: "Nome da Nota"
created: 2026-04-28
updated: 2026-04-28
type: <tipo>
status: <status>
tags:
  - 
publish: false
---

type

Quem é a nota. Tipos em uso:

  • concept — nota atômica de um conceito (Domínios)
  • glosa — fichamento de artigo
  • moc — índice de área (Map of Content)
  • how-to — passo-a-passo
  • til — Today I Learned, aprendizado pontual
  • reference — material de referência (cheatsheet, tabela)
  • trail — Senda (curadoria)
  • note — uso geral (template Templater padrão)

status

Em que fase de cultivo a nota está:

  • seedling — recém-criada, incompleta, em rascunho. Default de novas notas.
  • evergreen — madura, revisada, pronta pra ser referenciada. Promova quando a nota for sólida e você confiaria nela numa entrevista.
  • lido — usado só em Glosas, indica que o artigo foi lido (independe de ter sido processado em Domínio).

Não invente status novos sem registrar em Decisões do vault.

publish

  • publish: false — default. Não vai pro site Quartz.
  • publish: true — explicitamente publicado. MOCs e notas evergreen consolidadas.

Detalhes em Publicação.

tags

Tags são complementares aos Domínios — use pra cortes transversais (ex: interview, senior-skills, performance). Evite duplicar a pasta (#java numa nota dentro de Java/ é redundante).

Convenções:

  • Lowercase, kebab-case (design-patterns, não DesignPatterns)
  • Hierarquia com / quando útil (carreira/entrevista)
  • Sem caracteres especiais nem acentos

Estilo de escrita

  • PT-BR em todo conteúdo autoral. Exceção: seções “How to explain in English” das Interview Notes e citações verbatim em Glosas.
  • Frase direta. Sujeito + verbo + complemento. Sem rodeios acadêmicos.
  • Voz ativa. “O Spring injeta o bean” em vez de “o bean é injetado pelo Spring”.
  • Negrito pra termos-chave na primeira menção; depois texto corrido.
  • Code spans (backticks) pra nomes de arquivo, comandos, identificadores de código, e nomes de classes/funções.

Registro de escrita: Técnica Feynman

O registro autoral do Codex segue a Técnica Feynman: escrever como quem ensina, não como quem cataloga. O teste: “se você não consegue explicar de forma simples, você não entendeu bem o suficiente.”

Regras de registro — aplicam-se a todo conteúdo de domínio, em especial às notas de trilha:

PrincípioAplicação
Problema-primeiroAbre com o problema/cenário que o conceito resolve; nunca começa com definição (“X é um…“)
Analogia antes da técnicaQuando o mecanismo for abstrato, 1 analogia concreta antes de explicar (decorativa = ruído)
Por que, não só o quêExplica o mecanismo causal — anti-padrão: “X faz Y” sem dizer como/por quê
Pergunta do leitorAntes de responder algo não-óbvio, escreve a pergunta que o leitor faria: > [!question]-
Camadas explícitasSepara sintoma de causa, o quê de por quê, caso normal de edge case
Resumo em 1 linhaAo fim da seção principal: “X em uma frase: …”
Anti-padrãoProsa enciclopédica neutra — tecnicamente correta, mas que não antecipa a dúvida do leitor

O Registro Feynman é o eixo das skills /escrever-nota e /enriquecer-nota. O critério de auditoria vive na constraint-skill /verificar-nota (item P2: “mecanismo explicado”). Referência canônica de como fica bem aplicado: nota 03 - A janela de contexto.md do galho Anatomia dos LLMs.

Notas de trilha como capítulo de livro

As notas das trilhas de aprendizado (galhos em fases Iniciado/Adepto/Magus) seguem um padrão mais alto que uma nota de referência: devem ler como um capítulo de livro que pega o leitor pela mão. O teste de dois usos define a régua:

  1. O autor consulta quando esquece o tópico.
  2. O autor entrega a um colega para aprender o conceito do zero.

O segundo uso é o que exige padrão de livro. A pergunta de aceite: “este capítulo ensina o conceito do zero, sem buracos, numa ordem de dependência que facilita o aprendizado, e consolida no fim?”

Comprimento não é meta — é consequência. Não existe piso de linhas. Um capítulo é tão longo quanto o conceito precisa; alguns serão curtos e perfeitos.

O smell “lista de ingredientes”

O modo de falha mais comum: conceitos enfileirados sem que as peças se encaixem — o leitor sente que lê uma lista de ingredientes sem a receita. Antídoto obrigatório:

  • ≥1 exemplo trabalhado que usa as peças juntas (não basta explicar cada ingrediente isolado).
  • Divulgação progressiva: ensine a versão simplificada funcionando primeiro, depois adicione nuance.
  • Transições de encaixe explícitas: “guarde X, porque o próximo passo precisa dele”.

Exigências de um capítulo

  • Gancho de entrada e de saída autorais — abrir recapitulando o necessário do capítulo anterior; fechar com a ponte narrativa para o próximo (não só uma lista “Veja também”).
  • Essencial fora de callouts colapsados — o leitor de livro não clica para expandir. O que é preciso saber fica no fluxo; o callout é para o que é interessante saber.
  • “Veja também” / “Ver mais” são rodapé, não muleta para o que devia estar no corpo.
  • Ordem de dependência auditada — cada conceito merecido antes de usado.
  • Consolidação no fim (um resumo, ou “o conceito em uma frase”).
  • Densidade uniforme entre capítulos do mesmo galho.

Reconciliação com o uso-referência

Atomicidade (uma ideia por nota) e leitura-de-livro parecem brigar, mas a convenção broto → galho resolve: o núcleo numerado é o capítulo linear que ensina; sub-tópicos avançados viram brotos (notas Xa/Xb, fase: Magus) que servem de profundidade consultável. Núcleo que guia + brotos que aprofundam. Ver Decisões do vault.

15 práticas estruturais

Estas práticas emergem da evolução de 4 galhos do vault (Org. de Computadores → Segurança Conceitual → Compiladores e Linguagens → TypeScript). Cada galho adicionou uma camada nova; o padrão atual é a soma de todas. São auditadas pela constraint-skill /verificar-nota.

Abertura e TL;DR

  1. TL;DR callout denso> [!abstract] TL;DR com ≥3 linhas que funcionam standalone (não copiar a intro).
  2. Abertura com problema — 1ª seção ou intro abre com cenário real; nunca começa com definição.

Estrutura visual

  1. Diagrama Mermaid com semântica cromática — azul #4A90D9 = ok, âmbar #F5A623 = atenção, vermelho #D0021B = erro/impossível. Sempre para mostrar fluxo, contraste ou estrutura — nunca decorativo.
  2. Casos práticos com ≥2 cenários de produção — não basta 1 exemplo genérico; cada cenário tem contexto e consequência.

Navegação e síntese

  1. “O que vem a seguir” como ponte narrativa — explica por que o próximo conceito importa dado o que acabamos de ver; não é só lista de links.
  2. “X em uma frase” — síntese Feynman ao final da seção principal (“este mecanismo em uma frase: …”).

Internacionalização

  1. Seção “Como explicar em inglês” — 2-3 frases em inglês natural, prontas para entrevista técnica.
  2. Tabela PT↔EN — vocabulário técnico do tema mapeado.

Honestidade técnica

  1. Código com falha — mostra o problema antes da solução; nunca só o caminho feliz.
  2. Mecanismo explicado — por que funciona assim (causalidade), não só o quê.
  3. Armadilhas comuns com [!warning] individuais — cada armadilha em callout próprio (≥3), não lista bullet.

Profundidade progressiva

  1. [!question]- para perguntas do leitor — dúvidas que o leitor faria, colapsadas; resolvidas no callout ou no fluxo.
  2. Teoria subjacente (fase Magus) — conecta ao fundamento formal ou conceitual para notas sênior.
  3. Wikilinks cross-galho — conecta ao vocabulário de outros domínios, não só ao galho atual.

Mídia como reforço

  1. Vídeo/podcast embutido como [!tip] — referência multimídia com transcrição lida; acompanhado de 1-2 frases explicando o que acrescenta que o texto não cobre. Adicionado pela skill /adicionar-midia.

Dúvidas de leitura: [!duvida] e [!question]

O texto evolui a partir da dificuldade real de leitura — não do palpite do autor sobre o que confunde. Dois callouts, com papéis rígidos:

CalloutPapelPublica?
> [!duvida]Matéria-prima — a confusão crua, largada no ponto exato em que você travou. Estado de trabalho.Não — limpe antes do deploy
> [!question]Produto — a conversa que fica: a dúvida + a resposta, no ponto certo do texto.Sim

Formato de captura, no calor do momento:

> [!duvida] <a pergunta, como o leitor a faria>
> 
> <opcional: o que exatamente confundiu>

O loop capturar → colher → evoluir é operado por um par de skills (ver skills e Como usar este vault): /plantar-duvidas lê como iniciante e planta os [!duvida] nos pontos confusos (prevenção); /colher-duvidas os colhe e, para cada um, decide entre consertar o fluxo (quando a dúvida é sobre algo essencial) ou promover a [!question] (quando é uma tangente legítima). A regra de ouro: callout é para o que é interessante saber; o fluxo é para o que é preciso saber — nunca remende um conceito central num FAQ. Marcadores [!duvida] são transitórios e não devem sobreviver a um git push.

Promoção de status

Quando uma nota merece ir de seedling pra evergreen:

  • Foi revisada pelo menos 2 vezes
  • Tem exemplos concretos (não só teoria)
  • Tem pelo menos um wikilink saindo dela e um chegando nela
  • Você se sentiria confortável citando ela numa entrevista ou conversa técnica

Atualize o campo updated quando promover.

Grafo de skills: o raciocínio por trás do pipeline

O pipeline de escrita do vault usa três tipos de skill:

  • Micro-skills (atômicas): fazem uma coisa com entrada/saída claras.
  • Meta-skills (orquestradoras): coordenam micro-skills em fluxo mais longo.
  • Constraint-skills (verificadoras): auditam sem editar — servem de gate compartilhado.

O grafo

Criação:        /escrever-nota  →  /verificar-nota (gate automático)
                        ↓
Enriquecimento: /enriquecer-nota
                  Fase 0: /verificar-nota → Modo A ou Modo B
                  Lente Mídia: /adicionar-midia
                  Lente Conexões: /verbete
                        ↓
Dúvidas:        /plantar-duvidas → /colher-duvidas
                        ↓
Higiene:        /verificar-wikilinks

Por que não um template fixo?

Templates fixos impõem a mesma estrutura para todos os temas — uma nota sobre álgebra de tipos tem necessidades radicalmente diferentes de uma sobre protocolo de rede. A solução adotada é núcleo mínimo + menu de seções opcionais: o núcleo garante coerência mínima; o menu permite que cada tema escolha as seções pertinentes. A constraint-skill /verificar-nota audita o resultado sem ter imposto o caminho.

Por que Modo A e Modo B no /enriquecer-nota?

O enriquecimento incremental (Modo A) parte da premissa de que a estrutura já existe — adiciona profundidade, lacunas e novidade. Mas notas antigas do vault (~74 linhas, sem diagrama, sem seção de inglês) têm um problema estrutural, não de conteúdo. Para elas, enriquecer conteúdo sem antes construir o esqueleto seria como pintar uma casa sem paredes. O Modo B diagnostica isso via /verificar-nota e reconstrói as seções ausentes antes de enriquecer.

Por que o Registro Feynman está explícito nas skills?

Sem uma linguagem de registro explícita, o conteúdo gerado tende ao modo enciclopédico: correto, mas que não antecipa a dúvida do leitor. O Registro Feynman (problema-primeiro, analogia antes da técnica, mecanismo explicado) é o antídoto — e precisa estar nomeado nas skills para que possa ser verificado e exigido, não apenas aspirado.

Por que mídia tem skill própria?

A análise de vídeo/podcast exige um fluxo distinto do conteúdo textual: download de legendas, análise de relevância (score 0-10), decisão editorial sobre trecho âncora. Separar em /adicionar-midia deixa o /enriquecer-nota focado em texto e delega a operação de mídia a uma skill especializada — que pode ser invocada diretamente quando o usuário só quer embutir um vídeo sem enriquecer o restante.

Veja também