Dicionário do Indie Hacker

Glossário de conceitos essenciais para entender negócios indie hacker, startups bootstrapped e métricas de produtos digitais. Útil para consultar termos recorrentes em estudos, ideias de produto, análise de modelos de negócio e decisões de crescimento sustentável.

Termos

Acqui-hire

Aquisição de uma empresa cujo principal objetivo é contratar sua equipe, e não o produto ou tecnologia em si. Comum em grandes empresas de tecnologia como forma de atrair talento de alta qualidade rapidamente.

ARR

Receita recorrente anualizada. Normalmente é calculada multiplicando o MRR por 12 e serve para estimar a escala anual de um negócio com receita recorrente.

Board

Conselho ou grupo formal de pessoas que acompanha decisões estratégicas da empresa. Em startups com investidores, o board costuma ter fundadores, investidores e conselheiros independentes.

Bootstrap

Construir e financiar um negócio com recursos próprios e receita gerada pelos clientes, sem depender de venture capital. Para indie hackers, bootstrap costuma significar crescer com controle, margem e foco em sustentabilidade.

CAC

Custo médio para adquirir um novo cliente, calculado dividindo o total gasto em marketing e vendas pelo número de clientes conquistados no período. Comparar CAC com LTV é fundamental para avaliar a saúde do modelo de negócio.

CAPEX

Capital Expenditure — investimento em ativos de longo prazo como servidores próprios, equipamentos ou licenças perpétuas. Contrasta com OPEX (despesas operacionais recorrentes). Para indie hackers, minimizar CAPEX inicial favorece o bootstrapping: serviços SaaS e pay-as-you-go reduzem o risco de capital comprometido.

Churn

Taxa de cancelamento ou perda de clientes e receita em um período. O inverso da retenção — alto churn corrói o MRR mesmo com boa aquisição, sinalizando problemas de produto ou fit de mercado.

DAU/MAU

Usuários ativos diários (Daily Active Users) e mensais (Monthly Active Users). A razão DAU/MAU indica o nível de engajamento: quanto mais próxima de 1, mais frequentemente os usuários voltam ao produto.

Diluição progressiva

Perda gradual de participação societária dos fundadores à medida que a empresa emite novas ações ou cotas para investidores, colaboradores ou outros sócios. Em startups financiadas por venture capital, é o custo de trocar parte do controle e do upside futuro por capital para crescer mais rápido.

Enough

Ponto em que o negócio já gera retorno suficiente para sustentar a vida, a ambição ou o objetivo do fundador. É uma métrica pessoal e estratégica: define quando crescimento adicional deixa de compensar o custo de complexidade, risco ou perda de liberdade.

Equity

Participação societária em uma empresa, representada por ações ou cotas. Para fundadores e colaboradores, equity é a forma de compartilhar o upside financeiro do crescimento da empresa.

Exit

Evento em que fundadores ou investidores vendem sua participação, geralmente por aquisição, fusão ou abertura de capital. No contexto indie hacker, também pode significar vender um produto pequeno e lucrativo para realizar valor e partir para outro projeto.

Freemium

Modelo em que o produto é oferecido gratuitamente com funcionalidades básicas, enquanto features avançadas exigem pagamento. O objetivo é reduzir a barreira de entrada e converter uma fração dos usuários gratuitos em clientes pagantes.

GMV

Volume bruto de mercadorias transacionadas em uma plataforma ou marketplace. Mede o valor total das transações, mas não equivale à receita da empresa, que normalmente fica apenas com uma taxa ou comissão.

LTV

Receita total esperada de um cliente ao longo de toda a relação com o produto, calculada frequentemente como MRR ÷ churn rate para SaaS. LTV muito maior que CAC indica modelo de negócio saudável.

Marketplace

Plataforma que conecta oferta e demanda entre dois ou mais grupos de usuários, ficando com uma comissão ou taxa sobre as transações. O desafio central é resolver o problema do ovo e da galinha: atrair os dois lados simultaneamente.

Micro-SaaS

Produto de software por assinatura de nicho muito específico, operado por um único fundador ou uma equipe pequena. Prioriza simplicidade, margens altas e clientes bem definidos em vez de crescimento agressivo.

MRR

Receita recorrente mensal. É a métrica central de negócios por assinatura, pois mostra quanto a empresa espera receber todo mês de forma previsível antes de churn, upgrades e downgrades futuros.

MVPr

Produto mínimo viável e rentável. Variação indie hacker do MVP que enfatiza não apenas validar uso ou interesse, mas provar que o produto consegue gerar receita real com escopo pequeno.

NPS

Net Promoter Score — métrica de lealdade calculada pela diferença entre promotores (nota 9-10) e detratores (nota 0-6) em uma pergunta sobre probabilidade de recomendação. Varia de -100 a +100 e serve como indicador rápido de saúde do relacionamento com o cliente.

OPEX

Operational Expenditure — custos recorrentes para manter o negócio funcionando, como assinaturas de SaaS, hospedagem, salários e licenças mensais. Contrasta com CAPEX (investimentos de capital em ativos de longo prazo). Para indie hackers, OPEX é a principal categoria de gasto: tudo que se paga todo mês para o produto existir e crescer.

PLG

Product-Led Growth — estratégia de crescimento em que o próprio produto é o principal motor de aquisição, ativação e expansão de usuários, reduzindo dependência de vendas e marketing tradicionais. Freemium e trials são formatos comuns de PLG.

Ramen profitable

Estado em que o negócio gera receita suficiente para cobrir as despesas básicas de vida do(s) fundador(es), sem necessidade de emprego ou investimento externo. O nome vem do custo simbólico do macarrão instantâneo como dieta de sobrevivência.

Receita

Dinheiro recebido pela empresa em troca de produtos, serviços, assinaturas ou comissões. Para indie hackers, receita é uma validação mais forte que curtidas, tráfego ou cadastros, porque mostra disposição real de pagamento.

Retenção

Capacidade de manter usuários ou clientes ativos ao longo do tempo. Boa retenção indica que o produto resolve um problema recorrente e reduz a dependência de aquisição constante.

SaaS

Software as a Service — modelo de distribuição em que o produto é entregue pela internet como serviço pago por assinatura recorrente, sem instalação local. Permite receita previsível via MRR/ARR e atualização contínua do produto.

Side project

Produto ou projeto construído fora do emprego principal, geralmente com tempo e recursos limitados. Para muitos indie hackers, é o ponto de partida: validar uma ideia com baixo risco antes de apostar em tempo integral.

Term sheet

Documento não-vinculante que resume os termos e condições de um investimento proposto, como valuation, percentual de equity e direitos dos investidores. Serve de base para a negociação antes da documentação legal definitiva.

Unicórnio

Startup privada avaliada em pelo menos 1 bilhão de dólares. É um símbolo do modelo de venture capital, baseado em crescimento muito acelerado e possibilidade de retorno excepcional.

Venture capital

Capital de risco investido em empresas com alto potencial de crescimento em troca de participação societária. O modelo busca retornos muito grandes em poucas vencedoras, o que costuma pressionar a startup por escala rápida e eventual exit.

Vesting

Processo pelo qual fundadores, co-fundadores ou colaboradores ganham equity ao longo do tempo, geralmente atrelado à permanência na empresa. O cliff típico é de 12 meses (nada antes disso), seguido de vesting mensal por mais 3 anos.

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