Segurança Conceitual
TL;DR
Segurança não é um recurso que você instala — é uma propriedade emergente que você projeta sob a hipótese de que existe um adversário inteligente tentando quebrar o seu sistema. Este galho é o mindset adversarial (modelar ameaças, pensar como atacante), as primitivas criptográficas como ideias (hash, cifra simétrica e assimétrica, troca de chaves, assinatura, PKI) e os modelos de confiança e controle de acesso (autenticação ≠ autorização, zero trust, “Trusting Trust”). O fio condutor: criptografia não é o assunto — é uma ferramenta; o assunto é confiança sob adversário. Por que MD5 morreu, por que reusar nonce quebra tudo, por que não se deve “rolar a própria cripto”, e por que o elo mais fraco quase sempre é humano.
Sobre este galho
Onde os outros galhos da Ciência da Computação perguntam como a máquina funciona, Segurança Conceitual pergunta o que acontece quando alguém inteligente tenta quebrá-la de propósito. É a teoria atemporal — os conceitos que sobrevivem à próxima biblioteca e ao próximo CVE: o triângulo CIA, os princípios de Saltzer & Schroeder, a ideia de chave pública, a cadeia de confiança. Não é appsec aplicado (hardening, WAF, scanners) nem operação de segurança — é o andar conceitual que torna tudo isso inteligível.
Fronteiras (linka, não duplica):
- A matemática do RSA/Diffie-Hellman (teoria dos números, aritmética modular) → Matemática para Computação. Aqui é o uso aplicado: a chave pública como caixa-preta, o problema difícil como alicerce.
- TLS/HTTPS como protocolo (handshake real, versões, cifras) → Redes e Protocolos. Aqui é o conceito: por que cripto híbrida + PKI + forward secrecy se combinam.
- Spectre/Meltdown como mecanismo de hardware (especulação) → Organização de Computadores. Aqui é o side-channel como classe de ataque.
- Permissões de SO, isolamento, sandbox → Sistemas Operacionais (a implementação). Aqui é o modelo de controle de acesso (DAC/MAC/RBAC/ABAC).
- Operar segurança (WAF, scanners, incident response, hardening) → prática/Infraestrutura, fora deste galho. Aqui é a teoria.
Audiência: dev senior em preparação para entrevista internacional. Cada nota tem seção “Em entrevista” com frases prontas em inglês e vocabulário técnico PT→EN. (Autenticação × autorização, hashing de senha, simétrico × assimétrico e “o que é um threat model” caem com frequência real; o resto é a cultura que separa quem usa uma biblioteca de quem entende por que ela existe.)
Iniciado — o mindset e os fundamentos
- 01 - O que é segurança conceitual — CIA + AAA, o modelo adversarial, superfície de ataque, o elo mais fraco.
- 02 - Pensar como adversário — modelagem de ameaças, STRIDE, árvores de ataque, trust boundaries, “assume breach”.
- 03 - Economia e fator humano da segurança — Schneier (processo ≠ produto), custo ataque × defesa, engenharia social, security theater.
- 04 - Princípios de design seguro — Saltzer & Schroeder, least privilege, defense in depth, fail-safe, Kerckhoffs.
- 05 - Aleatoriedade e segredos — entropia, PRNG × CSPRNG, nonces/IVs/salts, por que aleatoriedade ruim quebra cripto.
- 06 - Hashing criptográfico — preimage/colisão, SHA-2/3, MD5/SHA-1 mortos, hash de senha (bcrypt/argon2), salt.
Adepto — criptografia e identidade
- 07 - Criptografia simétrica — bloco × fluxo, AES, modos (ECB ruim → AEAD/GCM), o problema da chave compartilhada.
- 08 - Criptografia assimétrica — chave pública/privada, RSA/ECC (conceito), por que é lenta → cripto híbrida.
- 09 - Troca de chaves — Diffie-Hellman, forward secrecy, MITM e a necessidade de autenticar.
- 10 - MAC, HMAC e assinaturas digitais — integridade, autenticidade, não-repúdio, encrypt-then-MAC.
- 11 - PKI e certificados — CA, cadeia de confiança, X.509, raiz de confiança, revogação (CRL/OCSP).
- 12 - Autenticação — fatores, MFA, senhas, tokens, FIDO2/passkeys, phishing/credential stuffing.
- 13 - Autorização e controle de acesso — DAC/MAC/RBAC/ABAC, ACL × capability, confused deputy, OAuth2/OIDC (delegação ≠ login).
Magus — sistemas, ataques e futuro
- 14 - Criptografia em trânsito e em repouso — handshake TLS conceitual (híbrido + PKI + PFS + AEAD), at rest × in transit.
- 15 - Ataques a sistemas cripto — side channels, padding oracle, downgrade, replay, nonce reuse; “don’t roll your own crypto”.
- 16 - Classes de vulnerabilidade — injection, XSS, memory safety, confused deputy; OWASP como mapa, não checklist.
- 17 - Confiança transitiva e Trusting Trust — Thompson (Turing Lecture), o compilador que se auto-infecta, supply-chain conceitual.
- 18 - Gestão de chaves e segredos — lifecycle, rotação, KMS/HSM, secrets em código/CI, “turtles all the way down”.
- 19 - Zero trust e defesa em profundidade — perímetro × zero trust, BeyondCorp, camadas, blast radius.
- 20 - Privacidade, anonimato e metadados — privacidade ≠ segurança, anonimato × pseudonimato, Tor/mixnets, ZK como teaser.
- 21 - Criptografia pós-quântica — ameaça de Shor, harvest-now-decrypt-later, PQC/lattices, por que migrar já.
- 22 - Capstone - segurança como engenheiro — threat-model worked-example, cheat-sheet ameaça → defesa → primitiva; inglês; recap.
Rotas alternativas
O essencial (o que mais cai em entrevista)
01 → 06 → 12 → 13. CIA, hashing de senha, autenticação × autorização — o quarteto que separa quem entende de quem decora.
A trilha da criptografia (do hash ao TLS)
06 → 07 → 08 → 09 → 10 → 11 → 14. Hash, simétrico, assimétrico, troca de chaves, assinatura, PKI e como tudo vira o handshake TLS.
O mindset adversarial (pensar como atacante)
02 → 04 → 15 → 16 → 17. Modelar ameaças, projetar com princípios, e ver como sistemas reais quebram.
Identidade e acesso (o cluster de produto)
12 → 13 → 19 + TLS na prática. Autenticação, autorização e zero trust.
Todas as notas
TABLE fase, status, updated
FROM "03-Dominios/Engenharia/Segurança"
WHERE type = "concept"
SORT file.name ASCVeja também
- Fundamentos (MOC do domínio)
- Matemática para Computação — a teoria dos números que sustenta RSA e Diffie-Hellman
- TLS e HTTPS — a criptografia conceitual virada protocolo de rede
- Branch prediction e especulação — Spectre como mecanismo de hardware por trás dos side channels
- Dicionário de Ciência da Computação