CrUX e dados de campo

TL;DR

O CrUX (Chrome UX Report) é o dataset público do Google com os Core Web Vitals de usuários reais do Chrome que optaram por compartilhar dados de navegação. É a fonte de campo que o Google usa para o ranking de Page Experience — avaliada no p75 de uma janela móvel de 28 dias. Suas duas grandes limitações: só reporta origens com tráfego suficiente (sites pequenos ficam de fora) e tem latência (a janela de 28 dias reage devagar a melhorias). Você o consulta pelo PageSpeed Insights, pela CrUX API ou no BigQuery — e o usa para saber se passou, não para depurar.

O problema: de onde vem o “campo” que o Google enxerga?

Na nota 04 você viu o PageSpeed mostrar, no topo, os Core Web Vitals “de campo” com um selo verde ou vermelho. Aquilo decide se você passa na avaliação de performance do Google. Mas quem coletou esse dado? Você não instrumentou nada. Como o Google sabe o LCP que os seus usuários viveram?

A resposta é o CrUX, e entendê-lo responde perguntas práticas urgentes: por que meu site novo não tem dados de campo? por que otimizei ontem e o CrUX ainda está vermelho? o número que o Google vê é o mesmo que eu vejo no meu RUM?

O que é o CrUX

O Chrome UX Report é um programa do Google que coleta métricas de performance de usuários reais do Chrome — aqueles que ativaram a sincronização e concordaram em reportar estatísticas de uso — enquanto navegam por sites públicos. O Google agrega esses dados por origem (o domínio inteiro) e, quando há volume, por URL específica, e publica o resultado.

É o RUM que o Google faz por você, de graça — mas com o Chrome apenas, e com as regras dele. Três características definem como você deve usá-lo:

  1. Janela móvel de 28 dias. O CwV que o PSI mostra é o agregado dos últimos 28 dias, no percentil 75. Não é o “agora”; é uma média corrida de quase um mês.
  2. Só Chrome, só origens públicas, só quem optou. Safari, Firefox e usuários que não compartilham dados não entram. Intranets e páginas atrás de login também não.
  3. Precisa de tráfego suficiente. Uma origem (ou URL) só aparece no CrUX se tiver visitantes bastante para o dado ser estatisticamente significativo e anônimo. Sites pequenos e páginas de cauda longa simplesmente não têm dados de campo.

graph TB
    U["Usuários reais do Chrome<br/>(que optaram por compartilhar)"] --> C[CrUX agrega por origem/URL]
    C -->|janela de 28 dias, p75| D{Fontes de consulta}
    D --> D1[PageSpeed Insights]
    D --> D2[CrUX API]
    D --> D3[BigQuery / CrUX History API]
    D --> D4[Search Console]
    C -.alimenta.-> R[Sinal de ranking<br/>Page Experience]
    style U fill:#4A90D9,color:#fff
    style C fill:#4A90D9,color:#fff
    style R fill:#F5A623,color:#000

Como você consulta o CrUX

Há quatro portas de entrada, do mais simples ao mais poderoso:

FerramentaO que dáQuando usar
PageSpeed InsightsCWV de campo de uma URL/origem, na horaChecar rápido se uma página passa
Search Console (relatório Core Web Vitals)Suas URLs agrupadas por status (bom/a melhorar/ruim)Ver o site inteiro, achar grupos de páginas ruins
CrUX APIDados de campo via requisição programáticaAutomatizar, montar dashboards
CrUX no BigQuery / CrUX History APIHistórico mensal, tendências longas, comparar com concorrentesAnálise profunda, evolução ao longo de meses

Para o dia a dia, PSI e Search Console resolvem. O BigQuery entra quando você quer tendência histórica ou comparar sua origem com a de um concorrente (o CrUX é público — você pode consultar qualquer domínio com tráfego).

As duas armadilhas que confundem todo mundo

Esperar o CrUX reagir imediatamente a uma otimização

O que acontece: você faz um deploy que melhora muito o LCP, checa o PSI no dia seguinte e o campo continua vermelho. Pânico: “não funcionou?“. Por quê: o CrUX é uma janela móvel de 28 dias. No dia seguinte ao deploy, só ~1/28 dos dados refletem a melhoria; os outros 27 dias ainda carregam a versão antiga. A métrica só “vira” verde depois de dias a semanas. Como evitar: para verificar o efeito imediato de uma mudança, use o seu RUM (reage em horas) ou o lab (reage na hora). Trate o CrUX como o placar oficial que atualiza devagar, não como feedback de deploy.

Concluir que "não tem problema" porque não há dados de campo

O que acontece: o PSI mostra “dados de campo insuficientes” e o time relaxa, achando que está tudo bem. Por quê: ausência de dado não é ausência de problema — é ausência de tráfego suficiente no CrUX. Sites novos, páginas de baixo volume e origens pequenas simplesmente não aparecem, mesmo que estejam lentíssimos. Como evitar: quando não há CrUX, apoie-se no lab (Lighthouse) e no seu RUM para ter sinal. E lembre: mesmo sem aparecer no CrUX, a performance ainda afeta a conversão do usuário que está lá.

CrUX em uma frase: é o RUM público do Google — Core Web Vitals de usuários reais do Chrome, no p75 de uma janela de 28 dias — que decide o seu Page Experience, poderoso para saber se você passou, mas lento demais e incompleto demais para servir de feedback de deploy ou cobrir sites pequenos.

Como explicar em inglês

“CrUX — the Chrome User Experience Report — is Google’s public dataset of Core Web Vitals from real Chrome users who opted into sharing usage data. It’s the field data that powers Google’s Page Experience ranking, assessed at the 75th percentile over a rolling 28-day window. Two limits matter: it only covers origins with enough traffic, so small sites get ‘no field data’, and the 28-day window means it reacts slowly — after a fix, CrUX can stay red for weeks. So I use CrUX to know whether I passed, and my own RUM to know why and how fast a change moved the needle.”

PTEN
Dados de campoField data
Janela móvel de 28 diasRolling 28-day window
Origem (domínio)Origin
Tráfego suficienteSufficient traffic
Dados de campo insuficientesInsufficient field data
Placar oficialOfficial scoreboard

O que vem a seguir

O CrUX é ótimo, mas você já viu seus limites: 28 dias de latência, só Chrome, só sites grandes, e granularidade grossa. Para todo o resto — reagir rápido, cobrir todo mundo, segmentar por rota e deploy — você precisa coletar os seus próprios dados de campo. É o que a biblioteca web-vitals faz.

Fontes