Métricas de apoio

TL;DR

Os três Core Web Vitals dizem se a página está boa; as métricas de apoio dizem onde ela emperrou. TTFB (Time to First Byte) mede o servidor + a rede até o primeiro byte. FCP (First Contentful Paint) mede até o primeiro pixel de conteúdo. TBT (Total Blocking Time) mede quanto a thread principal ficou travada — é o proxy lab do INP. Speed Index mede a rapidez do preenchimento visual. Elas não são ranqueadas pelo Google, mas são diagnósticas: TTFB e FCP decompõem o LCP em etapas; TBT antecipa o INP. Sem elas, você sabe que o LCP está ruim, mas não se a culpa é do servidor, da rede ou do JavaScript.

O problema: “o LCP está em 4 segundos” — e agora?

Você mediu, o LCP deu 4 s, está vermelho. Ótimo, mas essa informação sozinha não te diz o que consertar. O LCP de 4 s pode ser porque:

  • o servidor demorou 2 s só para responder o primeiro byte (problema de backend/rede);
  • ou o servidor foi rápido, mas um script bloqueou a renderização por 2 s (problema de JavaScript);
  • ou tudo foi rápido, mas a imagem hero tinha 3 MB e demorou a baixar (problema de asset).

Três causas totalmente diferentes, três times diferentes, três soluções diferentes — e o LCP, sozinho, não distingue entre elas. As métricas de apoio existem justamente para fatiar o tempo e apontar qual etapa é a culpada. Elas são o instrumento de diagnóstico que transforma um CWV ruim em uma tarefa concreta.

As quatro que importam


graph LR
    A[Requisição] -->|TTFB| B[Primeiro byte]
    B -->|render| C[FCP<br/>1º conteúdo]
    C -->|render| D[LCP<br/>conteúdo principal]
    B -.thread travada.-> E[TBT<br/>bloqueio total]
    C -.preenchimento.-> F[Speed Index]
    style B fill:#4A90D9,color:#fff
    style C fill:#4A90D9,color:#fff
    style D fill:#F5A623,color:#000
    style E fill:#4A90D9,color:#fff

TTFB — Time to First Byte

TTFB mede o tempo do início da navegação até o primeiro byte da resposta chegar ao browser. Ele engloba tudo que acontece antes do seu HTML começar a chegar: resolução de DNS, handshake de conexão, tempo de processamento do servidor, latência de rede, redirecionamentos.

É a fundação do LCP: se o TTFB é 2 s, o LCP não tem como ser bom, porque o browser nem recebeu o HTML ainda. Um TTFB alto aponta para o backend, o banco de dados, a CDN mal configurada ou redirecionamentos em cadeia. Referência informal de “bom”: ≤ 800 ms.

FCP — First Contentful Paint

FCP mede até o primeiro pedaço de conteúdo aparecer — qualquer texto, imagem ou SVG. É o momento em que o usuário sai da tela em branco e tem o primeiro sinal de que “algo está acontecendo”.

O FCP fica entre o TTFB e o LCP. Se TTFB é bom mas FCP é ruim, o gargalo está entre receber o HTML e pintar o primeiro pixel — tipicamente recursos que bloqueiam a renderização (CSS e JS no <head> que o browser precisa processar antes de pintar). Referência de “bom”: ≤ 1,8 s. A relação TTFB → FCP → LCP forma uma cascata: cada uma herda o atraso da anterior.

TBT — Total Blocking Time

TBT soma, entre o FCP e o momento em que a página fica interativa, todo o tempo em que a thread principal ficou bloqueada por tarefas longas (as que passam de 50 ms). É a métrica que mede o “peso” do seu JavaScript no carregamento.

Como você viu na nota 04, o TBT é o proxy de laboratório do INP — pesa 30% no score do Lighthouse justamente porque, no lab, ninguém clica na página, então não dá para medir INP de verdade. TBT alto no lab → INP provavelmente ruim no campo. As causas (long tasks, hidratação, scripts de terceiros) são o coração do Galho 3.

Speed Index

Speed Index mede quão rápido o conteúdo visível é preenchido durante o carregamento — não um instante único, mas a velocidade média com que a tela se completa. Duas páginas podem ter o mesmo LCP, mas aquela que preenche a tela gradualmente e cedo “parece” mais rápida do que a que fica em branco e estoura tudo de uma vez no fim. É uma métrica de percepção de progresso.

Como elas se ligam aos Core Web Vitals

A tabela mental que vale a pena guardar:

Métrica de apoioDecompõe / antecipaO que um valor ruim aponta
TTFBPrimeira parcela do LCPServidor, CDN, DNS, redirecionamentos
FCPEtapa intermediária do LCPRecursos que bloqueiam a renderização (CSS/JS no head)
TBTProxy lab do INPJavaScript pesado, long tasks, hidratação
Speed IndexPercepção geral de carregamentoOrdem e progressividade da renderização

Otimizar métricas de apoio como se fossem o objetivo

O que acontece: o time reduz o TTFB de 900 ms para 400 ms e comemora, mas o LCP continua ruim. Por quê: as métricas de apoio são diagnósticas, não metas em si. Melhorar o TTFB só ajuda o LCP se o TTFB era o gargalo. Se a causa real era a imagem hero de 3 MB, cortar o TTFB pela metade quase não move o LCP. Como evitar: use as métricas de apoio para localizar o gargalo do CWV, ataque essa causa, e valide olhando o CWV (que é o que importa pro usuário e pro ranking) voltar ao verde.

Métricas de apoio em uma frase: TTFB, FCP, TBT e Speed Index não são ranqueadas, mas fatiam o carregamento em etapas — servidor, primeiro pixel, bloqueio de JS, preenchimento — para você descobrir onde um Core Web Vital emperrou e atacar a causa certa.

Como explicar em inglês

“The Core Web Vitals tell you whether a page is good; the supporting metrics tell you where it broke. TTFB — Time to First Byte — is server plus network latency, the foundation of LCP. FCP — First Contentful Paint — is the first pixel of content, sitting between TTFB and LCP. TBT — Total Blocking Time — measures how long the main thread was blocked, and it’s the lab proxy for INP. And Speed Index captures how quickly the screen fills in. They aren’t ranked by Google, but they’re diagnostic: if LCP is bad, I look at TTFB and FCP to see whether it’s a server problem or a rendering problem before I touch anything.”

PTEN
Tempo até o primeiro byteTime to First Byte (TTFB)
Primeiro conteúdo pintadoFirst Contentful Paint (FCP)
Tempo total de bloqueioTotal Blocking Time (TBT)
Índice de velocidadeSpeed Index
Recurso que bloqueia a renderizaçãoRender-blocking resource
Tarefa longaLong task
Métrica diagnósticaDiagnostic metric

O que vem a seguir

Você agora tem o arsenal completo: os três Core Web Vitals, a diferença lab/field, as ferramentas (Lighthouse, PSI, CrUX, RUM) e as métricas de apoio que apontam a causa. A peça final é estratégica: como transformar tudo isso em metas concretas (orçamentos de performance) e num método de diagnóstico que fecha o ciclo — e faz a ponte para como otimizar, nos próximos galhos.

Fontes