Domínio UX — design

Contexto

O vault não tem cobertura de UX. Um levantamento em 2026-07-28 confirmou: não existe domínio, senda nem tag sistemática (só duas notas usam ux como tag — Java/Swing/09 - Look and Feel e React/Ícones). UX aparece hoje apenas como lente dentro de domínios técnicos: HTML/06 - Formulários II (única nota com UX no título), Segurança/03 - Economia e fator humano (maior densidade de “usabilidade” do vault), Web Performance/Medição e Core Web Vitals, Auth e Identidade (UX de login) e o domínio de IA (UX de produto de IA). Quase todo arquivo com “design” no nome é design de software, não design de interface.

O vizinho mais próximo é Acessibilidade — domínio completo desde 2026-07-28, 21 notas, que cobre a camada técnica de a11y mas não a camada de decisão de design que a precede.

Público-alvo: o fractional engineer full-cycle — profissional que assume ownership total do projeto: colhe requisito com o cliente, define o problema, desenha a solução, constrói e coloca em produção, mede e sustenta. Não é especialista de UX e não vai virar um. Precisa do mínimo com profundidade real para exercer bem o ofício sozinho, e para sustentar conversa de nível sênior/staff em entrevista internacional.

Esse público define dois recortes que atravessam todo o domínio e aparecem independentemente em múltiplas fatias da pesquisa:

  • Cliente ≠ usuário. Em consultoria/B2B, quem paga e aprova quase nunca é quem usa o sistema. Otimizar para a satisfação do stakeholder produz produto que os usuários reais rejeitam.
  • Escala de um. Boa parte do cânone de UX pressupõe time, orçamento e tráfego. Cada nota precisa separar o que é praticável sozinho do que exige estrutura — e nomear honestamente o segundo grupo em vez de fingir que dá.

Decisões de design

Tomadas no brainstorming de 2026-07-28:

  1. Eixo: decomposição por disciplina de UX (research, AI, IxD, linguagem visual, writing, métricas, ética). Escolhido pelo usuário sobre a alternativa “ciclo do produto”. Mitigação do risco de virar enciclopédia: a lente full-cycle entra dentro de cada nota — toda nota responde “o que eu, sozinho, faço com isso na segunda-feira”.
  2. Escala: domínio grande, de primeira classe (porte de React), não um galho enxuto. Resultado: 48 notas + capstone em Engenharia/UX/ e 9 notas em Tecnologia/Ferramentas de Design/.
  3. Colocação: split estável/volátil. O ofício mora em Engenharia/UX/; as ferramentas concretas e perecíveis moram em Tecnologia/Ferramentas de Design/. Segue a regra declarada em Engenharia/index.md: “a fundamentação fica aqui; cada tecnologia linka pra cá e cuida das suas particularidades”. Alternativas rejeitadas: tudo em Tecnologia/UX (mistura ofício durável com ferramenta de ciclo de 18 meses); nova camada de topo Produto/ (mudança estrutural maior do que o ganho justifica agora).
  4. Ritmo: galho a galho, ponta a ponta — fecha-se um sub-galho (semear + enriquecer até ✅) antes de abrir o próximo. Mantém o contexto leve por sessão.
  5. Primeira versão assumidamente imperfeita. O usuário registrou que o galho será aprimorado com o tempo; esta spec fixa a espinha, não a palavra final.

Arquitetura

03-Dominios/Engenharia/UX/

  • index.md (type: moc): TL;DR + tabela dos 8 sub-galhos + roster agrupado por fase
    • fronteiras.
  • roadmap.md (galho-pai): mapa de estado recursivo (raiz → sub-galho → nota), no Template - Roadmap.
  • 8 sub-pastas, cada uma com index.md e roadmap.md.

03-Dominios/Tecnologia/Ferramentas de Design/

Galho único (sem sub-galhos), com index.md e roadmap.md.

Roster — Engenharia/UX/ (48 + capstone)

SG1 — Fundamentos e modelo mental · Iniciado (5)

  1. UX não é tela — o ofício e seus limites — o que a disciplina abrange, o que o engenheiro full-cycle faz sozinho, e o sinal de que é hora de chamar um especialista
  2. Affordances e signifiers — Norman (1988/2013); por que “adicionar um tooltip” quase nunca é a correção certa
  3. As 10 heurísticas de Nielsen — Nielsen & Molich (1990, refinadas 1994); uma violação e uma correção por heurística
  4. Leis de UX — Fitts (1954), Hick & Hyman (1952), Jakob, Miller, Peak-End; curadoria de Yablonski (2020)
  5. Gestalt aplicada a UI — proximidade, similaridade, fechamento, continuidade, figura-fundo

SG2 — Descoberta e pesquisa · Iniciado/Adepto (9)

  1. Generativa vs avaliativa — as duas fases da pesquisa; pular a generativa é a causa raiz mais comum de “construímos a coisa errada”
  2. Entrevista de descoberta — as regras do Mom Test — Fitzpatrick; falar do passado concreto, nunca de opinião sobre o futuro
  3. Cliente não é usuário — a armadilha do B2B/consultoria — nota central do domínio para este público
  4. Jobs To Be Done — as duas escolas — Christensen/Moesta (qualitativa) vs Ulwick (outcome-driven); saber que divergem já sinaliza profundidade
  5. Opportunity Solution Tree de bolso — Torres (2021) sem trio de produto
  6. Assumption mapping — Bland & Osterwalder (2019); importância × evidência
  7. Proto-persona vs persona de verdade — Gothelf & Seiden (2013); hipótese explícita vs dado pesquisado
  8. Teste de usabilidade guerrilha com 5 usuários — Nielsen (2000) e Krug (2010), com o caveat honesto das 3 rodadas
  9. Personas sintéticas e síntese por IA — estado 2026 com ceticismo: útil para ideação e triagem, perigoso como substituto de dado primário

SG3 — Arquitetura de informação · Adepto (4)

  1. Os 4 sistemas da AI — organização, rotulação, navegação, busca (Rosenfeld/Morville/Arango, 4ª ed. 2015)
  2. Schema de banco não é estrutura de navegação — taxonomia vs navegação; o usuário não pensa em JOIN, pensa em tarefa
  3. Card sorting e tree testing de guerrilha — validar taxonomia antes de comprometer a estrutura
  4. Navegação e wayfinding — onde estou, de onde vim, para onde posso ir

SG4 — Design de interação · Adepto (7)

  1. Do fluxo antes da tela — user flow como máquina de estados; o equivalente a desenhar o diagrama de estados antes de codificar
  2. Os 5 estados de tela — vazio, carregando, erro, parcial, sucesso; if (loading) é sub-modelagem do espaço de estados
  3. Progressive disclosure — e a armadilha do “mostrar mais” que decepciona
  4. Modal vs página vs drawer — critério de decisão e o anti-padrão do modal empilhado
  5. Undo vs confirmação — reversibilidade barata contra alert fatigue
  6. Design de formulários — defaults — coluna única, label acima, validação no blur, erro específico, opcional marcado
  7. Latência percebida e feedback — Miller (1968), Card/Moran/Newell (1983); skeleton vs spinner, com a ressalva de que a superioridade do skeleton não é consenso

SG5 — Linguagem visual e design system · Adepto/Magus (7)

  1. Hierarquia visual — uma ação primária por tela; o mínimo para a tela não parecer amadora (Refactoring UI, 2018)
  2. Escalas de tipografia, espaçamento e densidade — escala modular, base 4/8, densidade por perfil de usuário
  3. Cor de produto: OKLCH e paleta semântica — Ottosson (2020); por que HSL mente sobre luminosidade percebida
  4. Design tokens como sistema — hierarquia primitivo → semântico → componente e o formato W3C DTCG (primeira versão estável em out/2025, ainda Community Group Report, não padrão W3C)
  5. Atomic Design — o que ainda vale — Frost (2013/2016) e a crítica corrente: a metáfora sobrevive, a taxonomia rígida virou debate de nomenclatura
  6. Component API design — boolean explosion, enum de variant, composição sobre configuração
  7. Adotar vs construir, e governança mínima para um time de um — decisão de produto, não comparação técnica de API (essa já existe em React/Ecossistema)

SG6 — UX writing e content design · Adepto (5)

Território 100% novo no vault — nenhuma cobertura hoje.

  1. Voz e tom — voz constante do produto, tom que varia com o estado emocional do usuário
  2. Microcopy, labels de ação e jargão interno — verbo + objeto específico; o nome da tabela do banco vazando para a interface
  3. Erros: fluxo de recuperação e mensagem que não culpa — o que aconteceu, por quê, o que fazer agora
  4. Estados vazios como conteúdo — “sem dados ainda” vs “sem resultados” vs “erro”
  5. i18n quebra layout — expansão de string, pluralização, RTL, truncamento

SG7 — Medir, validar e sustentar · Magus (8)

  1. HEART + Goals-Signals-Metrics — Rodden et al. (Google, ~2010); Happiness é a única dimensão atitudinal
  2. SUS, UMUX-Lite, SUPR-Q, SEQ — qual questionário quando; SUS 68 é benchmark empírico, não meio de escala
  3. NPS e North Star — promessa, crítica e Goodhart — por que os dois números mais citados do mercado são os mais contestados
  4. Instrumentação: event taxonomy e tracking plan — object-action, snake_case, governança; taxonomia sem dono apodrece
  5. Quando A/B não se aplica — tráfego baixo, B2B, cliente único; alternativas legítimas (feature flag como desenho experimental mínimo, micro-conversões, qualitativo como método de primeira classe). Recorte crítico para este público.
  6. Session replay e heatmap — o que provam, o que não provam, e o recorte de privacidade (consentimento, mascaramento de PII)
  7. UX debt e matriz severidade × esforço — priorizar retrabalho de usabilidade com critério
  8. Defender decisão de UX com número — e a atribuição causal frágil que torna todo ROI de UX uma estimativa, não um fato

SG8 — Ética e ofício · Magus (3)

  1. Dark patterns e regulação — taxonomia dos padrões enganosos e o cenário regulatório (EU DMA em vigor; EU Digital Fairness Act ainda em tramitação — verificar status na data de escrita; ações da FTC). Deixou de ser questão estética e virou risco legal e de carreira.
  2. UX no ciclo de dev — Definition of Done que inclui UX, revisão de UX no code review, gates de CI
  3. UX em entrevista sênior/staff — articular trade-off explícito, vocabulário compartilhado com design, e o custo de engenharia de cada opção de interface

Capstone

  1. Do requisito ao produto validado — um ciclo completo: descobrir com o cliente, definir, desenhar, construir, instrumentar, medir, priorizar a dívida

Roster — Tecnologia/Ferramentas de Design/ (9)

  1. Figma para o engenheiro — Dev Mode, variables/modes, auto layout; e o que é território de designer profissional que dá para ignorar com segurança
  2. Figma MCP Server + Code Connect — contexto de design estruturado para o agente, em vez de screenshot
  3. Claude Design e o handoff bundle — research preview da Anthropic Labs (17/abr/2026, sobre Opus 4.7); linka para a skill handoff-design já existente em vez de duplicá-la
  4. Geradores de UI por IA — v0, Lovable, Bolt, Subframe: onde ajudam, onde produzem lixo, como avaliar a saída
  5. Estética genérica de IA e como escapar — o fingerprint reconhecível e a causa raiz (convergência do modelo para o estatisticamente seguro)
  6. Protótipo em código — quando o componente real é o protótipo mais barato e a ferramenta de design é etapa dispensável
  7. Excalidraw e tldraw — baixa fidelidade, e tldraw como SDK embutível
  8. Pipeline de tokens — Figma Variables → Style Dictionary → CSS custom properties, com Git como fonte de verdade
  9. Loop visual com Playwright MCP e visual regression — accessibility tree como feedback estruturado; snapshot nativo do Playwright antes de plataforma cloud

Fronteiras (linkar, nunca reescrever)

Fronteira existenteO que já está láO que é novo aqui
Tecnologia/Acessibilidade (21 notas)accessibility tree, WCAG 2.2, ARIA APG, foco em SPA, contraste, cor acessívela camada de decisão que precede a implementação acessível. “O botão tem contraste suficiente” é a11y; “por que existe um botão aqui e não um link, e por que ele domina a tela” é IxD.
Tecnologia/CSS/07 e /06custom properties, mecânica de tokens em CSS, responsivotokens como sistema (hierarquia, governança, padrão DTCG), não a sintaxe CSS
Tecnologia/React/Ecossistema/03comparação técnica MUI/Radix/shadcn/Mantine com códigoo quando adotar como decisão de produto
Tecnologia/React/Ecossistema/10, /11tabelas, data grids, libs de gráficosnada — apenas linkar
Tecnologia/Web PerformanceINP, LCP, CLS, lab vs field, CrUXmétrica de UX (satisfação, sucesso de tarefa, retenção). Performance é insumo de UX, não a mesma coisa; vale uma nota-ponte curta
Tecnologia/Testes JS/14Playwright além do básicoPlaywright como loop de feedback visual/de design
skill datavizpaleta categórica/sequencial, heurística de formapaleta de produto/UI, não de dados
Tecnologia/IA/Claude Code + skill handoff-designClaude Code, o fluxo de handoffClaude Design como produto; a nota linka a skill
Tecnologia/Tooling e Buildpipeline de buildStyle Dictionary é candidato natural a nota , não aqui

Regra: cada nova nota linka a fronteira em vez de reexplicá-la. Redundância entre notas é reforço e não deve ser deduplicada — mas reescrever uma fronteira inteira é duplicação, não reforço.

Convenções e qualidade

  • Notas atômicas em 3 fases (Iniciado/Adepto/Magus) com fase: no frontmatter.
  • Padrão capítulo de livro; registro Feynman no enriquecimento; diagramas Mermaid nas notas substanciais.
  • Núcleo mínimo obrigatório: TL;DR · abertura-problema · corpo-mecanismo · O que vem a seguir · Fontes · frontmatter.
  • roadmap.md por sub-galho antes do enriquecimento (pré-condição da enriquecer-galho).
  • Toda nota separa explicitamente o praticável sozinho do que exige time/orçamento. Isso não é seção opcional — é a promessa do domínio ao seu público.

Rigor de fontes

A pesquisa de 2026-07-28 devolveu itens que não foram verificados e que as notas correspondentes devem marcar como tal, em vez de afirmar:

  • O comando /design-sync do Claude Design (só em blog de terceiros, não na doc oficial).
  • A data da integração bidirecional Figma ↔ Claude Code (fev/2026, apenas fonte secundária).
  • Percentuais de adoção de IA em pesquisa (69%, 88%) — vêm de blogs de fornecedores de ferramentas, material promocional sem estudo primário acessível.
  • A citação “cavalos mais rápidos” atribuída a Henry Ford — apócrifa, autenticidade contestada.
  • A citação Forrester de ROI de UX (“100”) — estudo antigo, metodologia não visível.
  • A superioridade de skeleton screens sobre spinners — contestada, não é consenso.
  • A data da 2ª edição de Strategic Writing for UX (Podmajersky).
  • Status do EU Digital Fairness Act — em tramitação; verificar na data de escrita.
  • APCA não é padrão de conformidade: foi retirado do working draft de WCAG 3 em 2023. WCAG 2.2 segue vigente.

Fora de escopo

  • Reescrever acessibilidade técnica (vive em Tecnologia/Acessibilidade).
  • Design gráfico, branding e identidade visual de marca.
  • UX de mobile nativo (iOS/Android HIG) além de menção — foco é web.
  • Formação de designer profissional: autoria avançada em Figma, gestão de biblioteca multi-time, governança formal de design system em organização grande.
  • Design de software (SOLID, patterns) — já é domínio próprio e não se confunde com este.

Ordem de execução

SG1 → SG2 → SG4 → SG6 → SG5 → SG3 → SG7 → SG8 → Ferramentas de Design → capstone.

Justificativa da ordem: SG2, SG4 e SG6 vêm cedo porque são o que se usa no próximo projeto; SG7 vem depois porque é o que sustenta entrevista; Ferramentas vem por último porque é a parte mais perecível — quanto mais tarde for escrita, mais tempo de validade terá. Ao fechar o domínio, atualizar o 00-Meta/Roadmap.md.