Stack de custo zero

TL;DR

Em 2026, é possível lançar e operar um SaaS completo sem gastar $1 em infraestrutura até ter receita. Free tiers generosos de Vercel, Supabase, Stripe, PostHog, GitHub Actions e Resend cobrem hosting, banco de dados, pagamentos, analytics, CI/CD e email transacional. O custo real de começar um projeto bootstrapped é tempo, não dinheiro. Essa nota mapeia a stack de custo zero, quando cada free tier atinge limite, e em que ordem começar a pagar.

O que é

A “stack de custo zero” é o conjunto de ferramentas e serviços com free tier suficiente para lançar, operar e até escalar um SaaS indie até os primeiros ~1.000 usuários sem custo de infraestrutura. Não é gambiar — é usar deliberadamente os free tiers generosos que empresas de infraestrutura oferecem para atrair devs.

O princípio: não gaste dinheiro em infra até ter receita que justifique. Cada dólar gasto antes de ter clientes pagantes é dólar saindo da reserva pessoal.

Por que importa

“Preciso de investimento para começar” é o mito mais destrutivo do empreendedorismo em software. Em 2026, a barreira financeira de entrada é efetivamente zero para a maioria dos SaaS. A barreira real é tempo, disciplina e habilidade — não dinheiro.

Isso muda o cálculo de risco fundamentalmente (ver 03 - Risco calculado do solo founder): se o custo financeiro é próximo de zero, o pior cenário é “perdi tempo e ganhei habilidades”. Isso é um risco aceitável para qualquer dev empregado.

Como funciona

A stack completa (custo $0)

CategoriaFerramentaFree tierLimite
Hosting frontendVercelIlimitado para projetos pessoaisBandwidth: 100GB/mês
Hosting alternativoGitHub PagesIlimitado para estáticosSem server-side rendering
Banco de dadosSupabasePostgreSQL, 500MB, 2 projetosPausa após 1 semana inativo
Banco alternativoNeonPostgreSQL serverless, 0.5GB100h compute/mês
AuthSupabase Auth50.000 MAUsGeneroso para início
PagamentosStripeSem taxa mensal2.9% + $0.30 por transação (só paga quando recebe)
Pagamentos alternativoLemonSqueezySem taxa mensal5% + $0.50 por transação (cobre tax compliance global)
AnalyticsPostHog1M eventos/mêsGeneroso para início
Analytics alternativoPlausible (self-hosted)Grátis se self-hostedRequer setup
Monitoramento de errosSentry5.000 eventos/mêsSuficiente para MVP
Email transacionalResend3.000 emails/mêsSuficiente para MVP
Email alternativoMailgun1.000 emails/mês (trial)Limitado
CI/CDGitHub Actions2.000 min/mês (free)Ilimitado para open source
DNS/domínioCloudflare (DNS)GrátisDomínio: ~$10/ano (único custo real)
CDNCloudflareGenerous free tierMais que suficiente
File storageSupabase Storage1GBLimite apertado para mídia

Custo real para lançar

ItemCusto
Domínio (.com)~$10/ano
Tudo mais$0
Total ano 1~$10

Quando começar a pagar (e por quê)

A migração de free para paid deve seguir a receita, não a antecipá-la:

GatilhoAçãoCusto mensal
Primeiro MRR >$100Upgrade Supabase Pro ($25/mês)$25
MRR >$300Upgrade Vercel Pro ($20/mês)$20
MRR >$500Upgrade PostHog ($0 → usage-based)~$0-50
MRR >$1KUpgrade Sentry (20/mês)~$46
MRR >$2KConsiderar infra dedicada (Railway, Fly.io)~$50-100

Regra de ouro: infraestrutura não deve consumir mais que 10-15% do MRR. Se consome mais, ou o pricing está errado ou a stack está over-engineered.

O que NÃO precisa no MVP

Ferramenta/serviçoPor que não agora
CDN premium (Fastly, CloudFront)Cloudflare free é suficiente
APM (Datadog, New Relic)PostHog + Sentry cobrem monitoramento básico
CRM (HubSpot, Salesforce)Planilha + email funciona até 100 clientes
Marketing automation (Mailchimp Pro)Resend + 1 sequência manual funciona
Design tools pagos (Figma Pro)Figma free tier basta para 1 pessoa

Na prática

Stack recomendada para um SaaS indie em 2026 (custo $0 até ter receita):

Frontend:   Next.js / Vite → deploy no Vercel
Backend:    Supabase (PostgreSQL + Auth + Realtime + Storage)
Pagamento:  Stripe (paga só quando recebe)
Analytics:  PostHog (1M eventos/mês grátis)
Erros:      Sentry (5K eventos/mês grátis)
Email:      Resend (3K emails/mês grátis)
CI/CD:      GitHub Actions (grátis para open source)
DNS:        Cloudflare (grátis)

Para projetos open source (como o EstudeMe), o GitHub Actions é efetivamente ilimitado — o free tier para repos públicos não tem cap de minutos.

Armadilhas

  • Over-engineering a stack antes de ter usuários. Kubernetes, microservices, event sourcing — nada disso é necessário para 0-1.000 usuários. Monolito no Supabase resolve.

  • Pagar por ferramenta premium “por garantia”. Cada ferramenta paga adiciona custo fixo que corrói runway. O free tier existe para este estágio — use.

  • Ignorar os limites do free tier. Supabase pausa projetos inativos no free tier. PostHog tem cap de eventos. Conheça os limites antes de depender deles em produção.

  • Trocar de stack por hype. A stack que funciona é melhor que a stack que está na moda. Não mude de Supabase para PlanetScale para Turso porque leu um thread no Twitter. Mude quando tiver um problema real que a stack atual não resolve.

  • Esquecer o custo de domínio. É o único custo real (~$10/ano). Registre cedo — domínios bons desaparecem.

Veja também

Referências

  • Documentação oficial — Vercel, Supabase, Stripe, PostHog, Sentry, Resend, GitHub Actions, Cloudflare. Free tier terms atualizados em 2026.
  • Kahl, ArvidZero to Sold. Bootstrapping econômico como princípio, não como limitação.
  • Comunidades — Indie Hackers, r/SaaS. Discussões recorrentes sobre stack de custo zero e quando migrar para paid.