As 11 camadas — visão geral

TL;DR

Um sistema de IA em produção se monta em onze camadas: Purpose, Prompt, Context, Output, Retrieval, Tool, Workflow vs Agent, Evaluation, Guardrail, Logging, Improvement. As três primeiras definem o que o sistema é, sabe e como se comporta. As quatro do meio executam — produzem output, puxam conhecimento, chamam tools, escolhem entre caminho fixo e agent. As três seguintes controlam — medem, restringem, registram. A última fecha o loop e transforma o sistema one-off em sistema que evolui. Esta nota é o mapa; cada camada tem sua própria nota fina nesta trilha.

O que é o stack

Um AI engineering stack é a sequência de decisões que separa um demo de chatbot de um sistema de IA confiável. Cada camada responde uma pergunta específica e produz um artefato concreto — um documento, um arquivo de configuração, uma rubrica, um schema. O stack inteiro forma o blueprint do sistema antes de uma linha de código ser escrita.

A formalização das 11 camadas usada nesta trilha vem da série Become an AI Engineer do @hooeem, capítulo #18. Outras taxonomias existem (Lilian Weng fala de planning/memory/tool use; Anthropic fala de building blocks/workflows/agents), mas as 11 camadas têm a virtude de serem operacionais: cada uma é um template que você preenche.

As camadas, em uma frase cada

#CamadaPergunta que responde
1PurposeO que esse sistema é, pra quem, e o que ele NÃO faz
2PromptComo o modelo deve se comportar (role, standards, proibições)
3ContextO que o modelo precisa saber pra decidir bem
4OutputEm que formato o modelo entrega a resposta
5RetrievalQuando puxar informação externa, de quais fontes, como citar
6ToolO que o modelo pode fazer (ações no mundo)
7Workflow vs AgentCaminho fixo ou descoberto dinamicamente?
8EvaluationComo saber se o output está bom
9GuardrailO que o sistema NÃO pode fazer; quando parar
10LoggingO que registrar de cada run pra debugar e melhorar
11ImprovementComo o sistema evolui a partir do que aprende

Como elas se conectam

graph TB
    P[Purpose Layer]
    WA[Workflow vs Agent]
    PR[Prompt Layer]
    CT[Context Layer]
    RT[Retrieval Layer]
    TL[Tool Layer]
    OUT[Output Layer]
    EV[Evaluation Layer]
    GR[Guardrail Layer]
    LG[Logging Layer]
    IM[Improvement Layer]

    P --> WA
    WA --> PR
    WA --> CT
    PR --> OUT
    CT --> OUT
    RT --> CT
    TL --> OUT
    OUT --> EV
    OUT --> GR
    EV --> LG
    GR --> LG
    LG --> IM
    IM -.feedback.-> P
    IM -.feedback.-> PR
    IM -.feedback.-> CT

A leitura do grafo:

  1. Purpose vem primeiro porque sem ele as outras camadas não têm critério de decisão.
  2. Workflow vs Agent é a bifurcação arquitetural — define se o resto do stack monta um pipeline fixo ou um loop autônomo.
  3. Prompt, Context, Retrieval, Tool alimentam a geração; Output é o que sai.
  4. Evaluation e Guardrail rodam em paralelo no output: uma mede qualidade, a outra checa segurança.
  5. Logging captura tudo.
  6. Improvement lê os logs e retroalimenta as camadas de definição (Purpose, Prompt, Context).

A ordem em que se monta na prática

Existe uma ordem natural de construção que não é a ordem numérica:

  1. Purpose primeiro (sempre).
  2. Workflow vs Agent segundo (define a arquitetura).
  3. Output terceiro (sabendo o que sai, o resto fica restrito).
  4. Prompt + Context quarto (instrução + conhecimento).
  5. Retrieval + Tool se necessário (conhecimento externo e ações).
  6. Evaluation + Guardrail antes de ir pra qualquer ambiente compartilhado.
  7. Logging antes do primeiro usuário real.
  8. Improvement após a primeira semana de uso real.

Construir as três camadas de controle (Eval, Guardrail, Logging) antes de expor o sistema é o ponto onde demos viram produtos. Pular essa etapa é a causa raiz de a maioria dos “MVPs de IA” nunca chegarem a prod.

O que esta trilha entrega

  • Notas 02 a 12: uma por camada, finas, com 3 perguntas-padrão respondidas (o que é, decisões-chave, onde aprofundar).
  • Nota 13: setup completo end-to-end com um exemplo concreto (gerador de newsletter semanal) atravessando todas as 11 camadas.

Veja também

Fontes

  • @hooeemBecome an AI Engineer (thread), chapter #18 “Building your AI engineering stack”. X/Twitter, 2025.
  • AnthropicBuilding effective agents (2024). Taxonomia building blocks → workflows → agents.
  • Lilian WengLLM-powered Autonomous Agents (2023). Componentes planning + memory + tool use.