Dicionário do Fractional Engineer

Glossário de conceitos essenciais para atuar como Fractional Engineer/CTO a partir do Brasil — cobrindo o modelo de negócio fractional, tributação PJ, contratos internacionais e a operação de uma carteira de clientes. Útil para consultar termos recorrentes nas notas do galho e em conversas comerciais e contratuais.

Termos

Advisory (modelo)

Modelo de engajamento fractional de baixa carga (tipicamente 4-8 horas por mês), em que o profissional participa de reuniões de liderança, revisa decisões estruturais e mentora o time, sem responsabilidade pelo dia a dia operacional. Ver 01 - O que é Fractional Engineering.

Anchor client

Cliente âncora — engajamento que consome uma fatia grande e estável da capacidade de um fractional (tipicamente ~50%), servindo como base previsível de receita ao redor da qual clientes satélite menores se organizam. Parte do modelo de prática “anchor-plus-portfolio”. Ver 17 - Ciclo de vida do engagement e virando prática.

Anexo III / Anexo V

As duas tabelas de tributação do Simples Nacional aplicáveis a empresas de serviço de tecnologia. O Anexo III tem alíquota inicial mais baixa (6%); o Anexo V começa em 15,5%. O enquadramento entre um e outro depende do Fator R. Ver Fator R — tributação para devs PJ.

CNAE

Classificação Nacional de Atividades Econômicas — código que define formalmente a atividade de uma empresa perante a Receita Federal. Para desenvolvimento de software, os códigos relevantes são 6201-5/01 (sob encomenda) e 6202-3/00 (customizável); esses códigos, notavelmente, não estão disponíveis para MEI. Ver 10 - Abrindo e mantendo o CNPJ certo.

Context switching

Custo cognitivo de trocar de foco entre tarefas ou clientes diferentes — estimado em 15 a 25 minutos de retomada por interrupção. É o principal fator limitante de quantos clientes um fractional consegue atender bem simultaneamente, mais do que a soma de horas contratadas. Ver 16 - Gerenciando múltiplos engagements simultâneos.

Discovery call

Primeira conversa comercial estruturada com um cliente em potencial, focada em descobrir a dor real por trás do pedido superficial, antes de qualquer cotação de preço. Primeira etapa do ciclo de venda fractional. Ver 09 - Do discovery call ao contrato assinado.

Due diligence técnica

Auditoria da arquitetura, dívida técnica e capacidade do time de engenharia de uma empresa, tipicamente conduzida antes de uma rodada de investimento ou aquisição. Um dos gatilhos mais comuns pra contratação de um fractional em modelo project-based. Ver 03 - Quando contratar e quando virar fractional.

E&O (Errors & Omissions)

Seguro de responsabilidade civil profissional que cobre custos de defesa e indenização em caso de alegação de negligência, erro ou omissão no trabalho prestado. Recomendado (e às vezes exigido pelo cliente) para fractionals, dado o nível de responsabilidade por decisão que o papel carrega. Ver 15 - Riscos e proteções do fractional remoto.

Fator R

Razão entre folha de pagamento (incluindo pró-labore) e receita bruta, ambas acumuladas nos últimos 12 meses, que define se uma empresa de serviços tributada pelo Simples Nacional cai no Anexo III (≥28%) ou no Anexo V (<28%). Ver Fator R — tributação para devs PJ.

Fractional

Modelo de trabalho em que um profissional sênior vende uma fração fixa e recorrente da própria capacidade (via retainer) a múltiplos clientes simultaneamente, participando ativamente das decisões e respondendo pelo resultado — diferente de freelance (executa) ou consultoria (recomenda). Ver 01 - O que é Fractional Engineering e 02 - Fractional vs freelance vs consultoria vs indie hacker.

Hands-on (modelo)

Modelo de engajamento fractional de carga alta (tipicamente 2-3 dias por semana), em que o profissional atua funcionalmente como o executivo do cargo em regime parcial — lidera revisões de arquitetura, gerencia contratação, participa de reuniões de board. Ver 01 - O que é Fractional Engineering.

Ingresso de divisas

Requisito para isenção de PIS/COFINS na exportação de serviço: o pagamento do cliente estrangeiro precisa entrar como operação cambial documentada (em real ou moeda estrangeira), respeitando as regras do Banco Central — mesmo que os recursos sejam mantidos no exterior. Ver 11 - Faturando em dólar — nota fiscal e isenções.

LGPD / GDPR

Leis brasileira e europeia de proteção de dados pessoais, respectivamente. Relevantes pra um fractional sempre que houver acesso — mesmo remoto, sem transferência ativa de arquivo — a dados pessoais de clientes ou usuários sujeitos a essas regulações. Ver 14 - Propriedade intelectual, confidencialidade e LGPD-GDPR.

ME (Microempresa) / SLU (Sociedade Limitada Unipessoal)

Tipo de enquadramento e tipo societário mais comuns para um fractional brasileiro que atua sozinho — permite faturar até R$4,8 milhões/ano no Simples Nacional, ao contrário do MEI, que não comporta as atividades de desenvolvimento de software. Ver 10 - Abrindo e mantendo o CNPJ certo.

Nearshore

Modelo de terceirização/contratação remota com um parceiro geograficamente próximo (mesmo continente ou fuso próximo) do cliente, em oposição a offshore (fuso distante). O Brasil é frequentemente posicionado como opção nearshore competitiva para clientes americanos, dada a pequena diferença de fuso horário. Ver 08 - Se diferenciando como fractional brasileiro.

NDA (Non-Disclosure Agreement)

Acordo de confidencialidade. Em contexto internacional, precisa endereçar explicitamente lei aplicável, foro de disputa e exigências de proteção de dados — um NDA doméstico genérico geralmente não cobre essas camadas. Ver 14 - Propriedade intelectual, confidencialidade e LGPD-GDPR.

Pejotização

Termo brasileiro para a contratação de um trabalhador como pessoa jurídica (PJ) quando, na prática, a relação tem características de vínculo empregatício (subordinação, pessoalidade, não-eventualidade, onerosidade). Um contrato PJ que na prática funciona como emprego pode ser reclassificado pela Justiça do Trabalho, independente do que o contrato diz no papel. Ver 15 - Riscos e proteções do fractional remoto.

Pod (modelo)

Modelo de crescimento de prática fractional em que o profissional contrata especialistas de confiança, como prestadores independentes, pra vender uma solução empacotada maior do que uma pessoa sozinha entregaria — sem virar uma agência tradicional. Ver 17 - Ciclo de vida do engagement e virando prática.

Project-based (modelo)

Modelo de engajamento fractional com escopo e prazo fechados, entregando um output específico (ex: due diligence técnica, plano de migração). Diferente de advisory e hands-on, não é recorrente por padrão — o engajamento termina quando o entregável é aceito. Ver 01 - O que é Fractional Engineering.

Retainer

Estrutura de cobrança em que o cliente paga um valor fixo mensal por uma disponibilidade garantida (horas ou dias por semana), em vez de pagar por hora trabalhada. Costuma embutir um desconto de 10-20% sobre o equivalente hourly, em troca da previsibilidade que dá aos dois lados. Ver 05 - Precificação — retainer, hourly e project-based.

SOW (Scope of Work)

Escopo de trabalho — documento (frequentemente parte da proposta comercial) que define o que será entregue, em que formato, até quando, e o que fica explicitamente fora do escopo de um engajamento. Ver 09 - Do discovery call ao contrato assinado e 13 - Anatomia de um contrato internacional de serviço.

Spread cambial

Margem embutida na cotação de câmbio de uma plataforma de conversão de moeda, além da taxa de serviço anunciada — o custo real de uma transferência internacional só aparece comparando o valor final líquido recebido, não só a taxa visível. Ver 12 - Organização financeira e câmbio.

Work for hire (cessão de PI)

Cláusula contratual que declara explicitamente que a propriedade intelectual criada no âmbito de um engajamento pertence ao cliente contratante — sem essa cláusula, a titularidade de código e artefatos produzidos pode ficar ambígua. Ver 14 - Propriedade intelectual, confidencialidade e LGPD-GDPR.