Purpose Layer — o que o sistema é

TL;DR

A Purpose Layer responde “o que esse sistema é?” antes que qualquer prompt seja escrito. Define system name, primary job, usuário-alvo, output principal, critérios de sucesso e — fundamental — o que o sistema não faz. Sem essa camada, todas as outras decisões viram opinião: você não tem critério pra recusar um pedido fora de escopo, pra escolher entre dois prompts, pra dizer se o output ficou bom. Sistemas sem Purpose Layer explícita acabam tentando fazer tudo e fazem mal.

O que é esta camada

A Purpose Layer é o documento fundador do sistema de IA. Ela existe antes do código, antes do prompt, antes da escolha de modelo. Responde quem é o usuário, qual o trabalho que está sendo automatizado, o que o sistema produz e — crucialmente — onde estão as fronteiras.

O template mínimo (adaptado do thread @hooeem):

system_name: <nome curto e específico>
primary_job: <uma frase com verbo no infinitivo>
user: <persona concreta, não "todo mundo">
main_output: <artefato único que o sistema entrega>
success_criteria:
  - <critério mensurável 1>
  - <critério mensurável 2>
  - <critério mensurável 3>
not_in_scope:
  - <o que o sistema explicitamente NÃO faz>
  - <onde ele encaminha pra outro sistema ou humano>

A regra do not_in_scope é o que separa Purpose Layer bem-feita de mission statement vazio. Sistema que tem só primary_job e nenhum not_in_scope vai aceitar tudo.

Decisões-chave

  1. Granularidade do primary_job. “Ajudar o usuário com escrita” é vago demais — não dá critério. “Gerar resumo de artigo técnico em 200 palavras com 3 takeaways” é específico — dá pra avaliar. Quanto mais estreita a primária, mais fácil tudo a jusante.

  2. Persona única vs múltiplas. Tentar servir analista, gerente e estagiário com o mesmo sistema gera prompts mornos. Escolha uma persona; se duas surgem, são dois sistemas.

  3. not_in_scope como contrato. O que o sistema rejeita é tão definidor quanto o que ele aceita. Listar 3-5 categorias do que não faz evita escopo elástico em produção.

  4. Critérios de sucesso mensuráveis. Se um critério não pode ser traduzido pra rubrica (09 - Evaluation Layer), ele não é critério — é desejo. Reescreva até virar mensurável.

  5. Quem assina o doc. Em time, o Purpose Layer vira fonte única de verdade. Mudança nele cascateia em mudança de prompt, eval, guardrail. Trate como spec versionada.

Onde aprofundar no Codex

Veja também

Fontes

  • @hooeemBecome an AI Engineer, chapter #18, Step 1 (Purpose layer template).
  • AnthropicBuilding effective agents. Discute “knowing when (and when not) to use agents” — a mesma pergunta que a Purpose Layer formaliza.