Currículo e LinkedIn como artefatos de triagem
TL;DR
Esta nota é deliberadamente curta. Currículo e LinkedIn têm galho inteiro neste vault — vinte e sete notas cobrindo os seis níveis, as dez portas de entrada no mercado, a linha de bullet, os números que se pode defender, o brag document e a variação entre Brasil, EUA e Europa. Aqui fica só o que pertence a este galho: onde os dois artefatos se encaixam no funil de entrevista, o que a triagem está de fato medindo (não é a sua carreira, é aderência e clareza), e o erro de enquadramento que explica quase todo currículo genérico — tratá-lo como registro do que você fez, em vez de peça de comunicação com um leitor específico. Para escrever o documento de verdade, o caminho é o galho.
Onde estudar de verdade
Currículo — o galho completo: para que serve, formato e legibilidade de máquina, a linha de bullet (verbo de ação + o que foi feito + resultado, e por que “responsável por” é a construção mais fraca do gênero), adaptar por vaga sem reescrever, LinkedIn como o par que responde a busca e mercados e o Brazilian Cultural Bug (idioma, dados pessoais, o que muda por país).
Por que esta nota existe
Um galho sobre o processo de entrevista que não mencionasse o currículo teria um buraco visível — é o primeiro artefato que qualquer candidatura produz, e o que decide se há conversa. Mas duplicar aqui o que já existe em vinte e sete notas seria pior: produziria uma versão rasa competindo com a completa, e quem consultasse o galho errado sairia pior informado sobre como escrever a própria linha de bullet ou montar o próprio LinkedIn.
Então a solução é a mesma da nota irmã sobre system design: situar o artefato no funil e apontar o caminho.
Onde o artefato se encaixa
No funil descrito em 02 - A anatomia do funil internacional, currículo e LinkedIn operam na etapa de triagem — antes de qualquer conversa humana, e muitas vezes antes de qualquer leitura humana. Uma vaga remota internacional atrai centenas de candidaturas; quem tria não lê, varre, em ordem, procurando confirmar ou descartar (anos de experiência, tecnologias-chave, empresas reconhecíveis, estabilidade, fuso). Antes disso, é comum que um sistema de rastreamento (ATS) já tenha filtrado por termos da descrição da vaga.
O erro de enquadramento é tratar o currículo como registro do que você fez. Ele não é arquivo histórico; é peça de comunicação com um leitor específico, apressado e cético, cujo trabalho é encontrar motivos para descartar. O bom currículo não descreve uma carreira: remove motivos de descarte e cria um motivo de conversa. É esse enquadramento — não a mecânica de escrever bullets — que pertence a este galho.
O que isto está medindo
O currículo mede aderência e clareza. Aderência: os requisitos objetivos batem? Clareza: você consegue descrever o próprio trabalho de forma inteligível para alguém que não estava lá? Um currículo confuso sugere comunicação confusa — e comunicação é critério de senioridade, o mesmo que os outros formatos deste galho avaliam.
O LinkedIn mede descoberta e consistência. Ele não é currículo em outra plataforma: é onde recrutador busca, com filtros de cargo, tecnologia, localização e senioridade — responde a busca antes de responder a leitura. E ele é verificado contra o currículo: divergência de datas ou de cargos é sinal negativo desproporcional ao tamanho do erro.
A mecânica de cada linha, e as armadilhas de formato
A fórmula da linha de bullet (verbo de ação → o que foi feito → resultado), a crítica a “responsável por” e o diagrama que compara as duas versões estão na nota 11 do galho Currículo. As armadilhas de formato que quebra a leitura automática estão na nota 05, e a de perfil que não bate com o currículo está na nota 23.
Especificidades do processo internacional
Idioma, dados pessoais, tamanho e as diferenças de expectativa entre mercados estão na nota 24 e na nota 05 do galho novo. Fuso e disponibilidade continuam tratados aqui mesmo, em 04 - Contratação remota internacional.
Adaptar por vaga
A pergunta “preciso reescrever o currículo para cada vaga?” tem resposta própria — a adaptação cirúrgica de sumário, ordem e ênfase — na nota 18.
O que vem a seguir
Isso fecha o bloco Iniciado — o critério, o funil, a abertura, o terreno contratual e os documentos. O próximo bloco muda de assunto: dos artefatos e do processo para os formatos de resposta, começando pela estrutura que organiza toda pergunta comportamental.
- 06 - STAR e suas variantes — a estrutura da resposta; abre o bloco Adepto.
- Currículo — o galho completo destes dois artefatos.
- 10 - O banco de histórias — de onde vêm os resultados que este currículo afirma.
Veja também
- 03 - Fale sobre você — o pitch de abertura — a versão falada do que o currículo diz por escrito.
- 02 - A anatomia do funil internacional — a etapa de triagem em que estes artefatos operam.
Fontes
- O galho Currículo deste vault — as fontes primárias estão lá, nota a nota.
- Gayle Laakmann McDowell — Cracking the Coding Interview — o capítulo sobre currículo técnico e o critério de varredura.
- Laszlo Bock — Work Rules! (2015) — o que a triagem em escala realmente procura, da perspectiva de quem a desenhou.